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Um Disco Que Laufey Colocaria no Procênio de Sua Estante de vinis
O fenômeno da bossa nova, ao cruzar o Atlântico e explodir no imaginário norte-americano no início da década de 1960, provocou um fascinante movimento de espelhos na indústria fonográfica global. Enquanto gigantes do jazz norte-americano corriam para os estúdios para registrar suas leituras do novo ritmo brasileiro, no próprio Brasil músicos locais articulavam respostas estéticas refinadas a essa invasão cultural. Foi nesse contexto de fervura criativa e diálogo transnacional
marioandremedella
9 de set.3 min de leitura


O Contrabando da Alma no Mercado do Fast-Food Sonoro
Entre bandas de rock sem sal repetindo fórmulas sem graça, coisas pop genéricas tentando parecer MPB de almanaque e trabucos eletrônicos frios gerados por pura "burrice artificial", duas muito bem-vindas surpresas tive ao prestar um pouco de atenção no coliseu contemporâneo onde acontece o Rock in Rio. O festival, muitas vezes criticado pelo excesso de concessões comerciais, acabou virando o cenário de redenções estéticas inesperadas, provando que quando a técnica encontra a
marioandremedella
9 de set.5 min de leitura


Aldir 80, o Mago da Muda (Aos pés da goiabeira branca)
Se o Aldir estivesse aqui neste dois de setembro para soprar oitenta velinhas, o mais provável é que ele descarregasse o bolo na cabeça de algum político boçal. Transformaria a solenidade em uma legítima cena de pastelão e exigiria, em contrapartida, uma porção de torresmo e moela escoltada por um chope com dois dedos de colarinho — daqueles que deixam bigode de espuma por cima do bigode real, já devidamente lambuzado de caldo de mocotó. Oitenta anos de um sujeito que passou
marioandremedella
9 de set.14 min de leitura


Tide e Stone Flower: Álbuns que não saem da preamar e fazem brotar flor em pedra
Tide, lançado pelo maestro Antônio Carlos Jobim em novembro de 1970 através da simbiose entre as gravadoras A&M Records e CTI Records, funciona na história da música como o movimento sutil e inevitável das marés. Gravado nos míticos estúdios de Rudy Van Gelder em Nova Jérsei, sob o olhar atento e refinado do produtor Creed Taylor, este trabalho nasceu de um momento de transição e assombrosa fertilidade criativa. Entre os meses de março e maio daquele ano, Tom Jobim dividiu o
marioandremedella
9 de set.4 min de leitura


O Resgate Sonoro Sem as Firulas Midiáticas
O mercado de resgates musicais históricos ganhou um capítulo fundamental em 2010 com o lançamento da coletânea intitulada Exotic Dreamers. Esse projeto foi idealizado e distribuído pela gravadora Righteous Records, trazendo ao formato digital duas obras-primas da chamada música Exotica que estavam fora de catálogo por décadas. O álbum foi disponibilizado oficialmente nas lojas em dezessete de maio de 2010 como um CD de compilação remasterizado, atraindo imediatamente a atençã
marioandremedella
9 de set.8 min de leitura


Além das Plumas e Balangandãs
Embora este espaço tenha sido recentemente o cenário de uma crítica severa ao planejamento mercadológico da Capitol Records — que muitas vezes pasteurizou o talento de grandes intérpretes ao enquadrá-los em personagens caricatos para vender um simulacro folclórico e multicultural —, torna-se imperativo separar o cinismo da indústria fonográfica da genialidade intrínseca de seus operários. Se o mecanismo mercantilista reduzia culturas complexas a produtos de prateleira, a arte
marioandremedella
9 de set.9 min de leitura


Papagaiada Midiática do Norte (parte II)
A engrenagem do exotismo fonográfico operou uma distorção tão profunda que seus efeitos ricochetearam de forma dolorosa nos países de origem desses artistas, criando um abismo de incompreensão e, por vezes, de rejeição explícita por parte de suas próprias comunidades nacionais. Quando Yma Sumac, Carmen Miranda ou Celia Cruz retornavam, ainda que simbolicamente, através de seus discos para o Peru, o Brasil ou Cuba, o público local não encontrava ali o espelho de sua identidade
marioandremedella
9 de set.5 min de leitura


A Papagaiada midiática do Norte
Nas décadas de 50 e 60 do século XX, as vitrolas da classe média norte-americana ecoavam sonoridades que prometiam uma viagem direta ao coração de selvas inexploradas, templos esquecidos e rituais místicos de terras distantes. Sob o rótulo sedutor da música exótica e do easy listening, a indústria fonográfica dos Estados Unidos, capitaneada por grandes selos famintos por novidades mercadológicas, engrenou uma sofisticada máquina de tradução cultural. O pretexto oficial era no
marioandremedella
26 de jul.5 min de leitura


A Presepada Política Que Virou Documento Histórico-Fonográfico
Nas profundezas da história fonográfica do Brasil, existe um capítulo quereluz com o brilho da genialidade e, ao mesmo tempo, carrega as sombras do apagamento histórico. Trata-se do álbum, um projeto orquestrado pelo célebre maestro britânico Leopold Stokowski e idealizado pelo gênio maximum do modernismo musical brasileiro, Heitor Villa-Lobos. Gravado nas madrugadas silenciosas de 1940 a bordo do navio SS Uruguay, que se encontrava ancorado no porto do Rio de Janeiro, esse
marioandremedella
26 de jul.4 min de leitura


A Suprema Trindade
A música brasileira aqui será sempre nosso ponto de partida; uma referência como legítima representante da diversidade sonora do planeta, e nada melhor para abrir esse caminho, no post inicial do blog como no primeiro episódio do podcast, falando sobre e ouvindo a "Suprema Trindade" da música brazuca: Pixinguinha, Tom Jobim e Villa-lobos. A identidade musical do Brasil é um mosaico monumental. No topo dessa construção, três pilares fundamentais definiram a nossa alma sonora.
marioandremedella
26 de jun.2 min de leitura
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