A música brasileira aqui será sempre nosso ponto de partida; uma referência como legítima representante da diversidade sonora do planeta, e nada melhor para abrir esse caminho, no post inicial do blog como no primeiro episódio do podcast, falando sobre e ouvindo a "Suprema Trindade" da música brazuca: Pixinguinha, Tom Jobim e Villa-lobos.
A identidade musical do Brasil é um mosaico monumental. No topo dessa construção, três pilares fundamentais definiram a nossa alma sonora.
Pixinguinha, Heitor Villa-Lobos e Tom Jobim formam a santíssima trindade da nossa cultura. Eles pegaram a essência das ruas, a diversidade cultural e natural do país e a erudição europeia para criar algo puramente brasileiro. PIXINGUINHA como o coração do choro, VILLA-LOBOS o gênio modernista e TOM JOBIM o arquiteto da bossa nova.
Se a música brasileira tem uma certidão de nascimento, a assinatura é de
Alfredo da Rocha Viana Júnior. Ele transformou o choro de uma interpretação regional em um gênero musical complexo e definitivo, Unindo o suingue dos ritmos africanos com a sofisticação da harmonia clássica. Composições como "Carinhoso" e "Um a Zero" ditaram como o brasileiro deveria tocar flauta e saxofone. Pixinguinha institucionalizou a síncope (deslocamento do acento rítmico natural), a base rítmica de quase tudo o que veio depois.
Já Villa-Lobos provou ao mundo que a música clássica não precisava imitar Paris ou Viena para ser genial, libertando a música erudita brasileira das amarras europeias abraçando o folclore nacional. Misturou as texturas das composições de Bach com as serestas e os cantos indígenas da Amazônia, Mostrando que a nossa cultura popular era digna dos maiores teatros do planeta.
Por fim, Antônio Carlos Jobim pegou o choro de Pixinguinha e a grandiosidade de Villa-Lobos para inventar o futuro. Arquitetou a Bossa Nova, desacelerando o samba e adicionando acordes impressionistas de jazz, alinhando a melancolia da "saudade" com a leveza do cotidiano urbano do Rio de Janeiro (hoje infelizmente nem tão leve assim). Músicas como "Garota de Ipanema", "Chega de Saudade" e "Águas de Março" reinventaram a canção popular mundial, tornando a música brasileira um produto de exportação sofisticado e imitado globalmente. Pois é, enquanto Pixinguinha criava a base rítmica e a malícia urbana nas ruas, Villa-Lobos elevava a nossa identidade a um patamar universal e abstrato, e aí Tom Jobim, em uma visão futurista, bebe das duas fontes para criar a trilha sonora mais sofisticada e influente do século XX. Sem essa trindade, o Brasil seria um país mais silencioso, menos traduzido e infinitamente menos mágico.
Comentários